O Ministério do Turismo indiano adota essa alcunha adorável. O nome do site oficial desse ministério é, de fato, Incredible India, Índia inacreditável. Descobri isso em minha primeira viagem ao país, em Outubro de 2012, para a COP 11, a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica. Devo à Índia algumas de minhas melhores fotos, não sei se as dessa série, mas certamente de outras publicadas aqui anteriormente (Um dia na vida de uma escola primária em Bombay e Os rostos de Varanasi e do Ganga). 

O mérito não é meu. Na Índia parece que basta levantar e apontar a câmera que a natureza se encarrega do resto. É tudo tão saturado de intensidade e cor e vida e tudo o mais. É, de fato, um país inacreditável, com dimensões continentais e milhares de idiomas e dialetos falados diariamente – sem exagero. Oficialmente são 22; 121 com mais de 10 mil falantes e quase 20 mil dialetos ao total. 

Nessa primeira viagem – acompanhada de colegas de trabalho que fiz no Planeta Sustentável, extinta divisão de sustentabilidade ligada à Editora Abril e onde eu trabalhava como editora de livros no tema –, estava sobretudo com meu amigo Matthew Shirts, o gringo mais brasileiro que já pisou essas terras e um verdadeiro herói da pauta sustentável no Brasil há pelo menos 20 anos. Frequentamos reuniões não muito estimulantes na conferência das partes, em Hyderabad, que na época tinha 7 milhões de habitantes e, na Índia, corresponde a uma cidade provinciana. Antes do fim da viagem, eu pegaria febre tifoide e ficaria internada num hotel luxuosíssimo em Nova Déli, mas isso é outra história.

A série aqui apresentada traz pessoas e lugares dessa Hyderabad, que esteve sob domínio muçulmano por muitos séculos – e isso se reflete em sua arquitetura e fortificações –, seus bazares e sua efusiva venda de pérolas. Foi minha primeira vez fotografando a abertura solar e singular desse povo carinhoso a seus visitantes estrangeiros. Tenho uma certa nostalgia vendo essas fotos pela inocência que ainda havia em mim, nos fotografados e no mundo. Ainda nem tínhamos tomado o 7×1 da Alemanha. Perdemos algo de lá para cá, para além da Copa no Brasil. Agradeço, como de costume, a todos que me agraciaram com seus sorrisos, olhares e tempo em meio a seus dias. Todas as fotos foram feitas em 120mm, com minha câmera Ferrania, de plástico, muito mais antiga que a moderninha Lomo.


Maria Bitarello é artista do texto, da fotografia, do teatro e da música, e desde 2015 integra a Companhia Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Tem três livros lançados: “Vermelho-Terra”, “O tempo das coisas” e “Só sei que foi assim”. Site oficial: mariabitarello.com


Leia outros textos da artista:

Gaveta Azul: “Narradora: dúvida | certeza”, por Maria Bitarello

Gaveta Azul: “Casa na praia”, uma coluna de Maria Bitarello

Gaveta Azul: “Vermelho-Terra”, uma coluna de Maria Bitarello

Gaveta Azul: “A bondade de estranhos”, uma coluna de Maria Bitarello

Gaveta Azul: “A gente está sempre saindo de casa”, por Maria Bitarello

Gaveta Azul: “Um dia na vida de uma escola primária em Bombay”, por Maria Bitarello

Gaveta Azul: “Os rostos de Varanasi e do Ganga”, por Maria Bitarello

Gaveta Azul: “Os modernistas se divertem”, por Maria Bitarello

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Gaveta Azul: “Postais do topo do mundo”, por Maria Bitarello

Gaveta Azul: “Nepal em 120mm”, por Maria Bitarello

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